02/12/2019 - 01h19

Vendas de imóveis de alto padrão são retomadas em 2019

Valor Econômico
 
Localização, arquitetura, tecnologia e segurança são atributos essenciais de casas e apartamentos que chegam a custar mais de R$ 100 milhões. Diferenciais como estilo, comodidade e acabamento refinado também são exigências de um público formado por empresários, executivos e investidores. Um dos setores menos afetados pela recessão, o mercado de imóveis de luxo mantém-se valorizado. Vendas e lançamentos, que haviam desacelerado nos últimos anos, voltaram a subir, estimulados pelos sinais de recuperação econômica e pela queda dos juros.
 
Os negócios nesse mercado demandam discrição e exclusividade. Imobiliárias especializadas oferecem consultoria personalizada e investem em corretores de alto nível, bem informados também sobre outros assuntos e capazes de manter uma conversa variada com esse público.
 
"O cliente tem que sentir segurança. Como o ciclo de venda é muito mais demorado, cria-se um vínculo entre corretor e cliente", diz Marco Túlio Vilela Lima, sócio e CEO da Esquema Imóveis, de São Paulo, especializada em alto padrão. A imobiliária vendeu recentemente, por R$ 30 milhões, uma casa que ficou no mercado por quase três anos.
 
Não é um segmento imune a crises, explica Lima. Na fase mais aguda da recessão, entre 2015 e 2016, houve um movimento expressivo de venda de casas de alto padrão em São Paulo por parte de empresários que faliram ou tiveram que colocar suas empresas em recuperação judicial. "Até os muito ricos pararam de investir aqui, por causa do cenário econômico", diz o CEO da Esquema.
 
Mas se é o último mercado a sofrer com a crise, costuma ser também o primeiro a sair dela. A reação vem sendo notada desde o fim de 2018. Em São Paulo, segundo Lima, a retomada começou antes do segundo turno das eleições. Com cerca de 6 mil imóveis cadastrados, à venda por preços entre R$ 3 milhões e R$ 120 milhões, a Esquema atingiu neste ano aumento perto de 70% no volume de vendas, em bairros nobres como Vila Nova Conceição, Jardins, Itaim, Cidade Jardim e Alto de Pinheiros.
 
Entre os empreendimentos recentes do mercado paulista, um edifício residencial com a marca, lançado em dezembro de 2018, teve mais da metade de seus 70 apartamentos, cada um com quatro suítes, vendidos em menos de 30 dias, entre março e abril, pelo preço médio de R$ 10 milhões. Localizada no bairro do Itaim Bibi e prevista para ser concluída em 2022, a torre de 40 andares está sendo construída pela Even e integrará um complexo que incluirá um hotel, bares e restaurantes.
 
No Rio, a RJZ Cyrela, braço carioca da Cyrela, vendeu na semana de lançamento, em novembro do ano passado, 80% das unidades de um empreendimento no Aterro do Flamengo, com 148 apartamentos, por preços entre R$ 3 milhões e R$ 3,5 milhões. Antiga sede do Clube de Regatas do Flamengo, com vista para o Parque do Flamengo e o Pão de Açúcar e batizado de Rio by Yoo, o prédio havia sido arrendado anteriormente por Eike Batista, para transformá-lo em hotel, projeto que acabou abandonado.
 
Hoje, de acordo com Marcelo Parreira, gerente-geral de incorporação e produto da RJZ Cyrela, resta só uma unidade. Do total de compradores, 22 arremataram mais de um apartamento.
 
Abalado por uma crise aguda e pela falta de controle da violência, o Rio reage mais lentamente. "É um mercado que está se recuperando aos poucos", diz Leonardo Schneider, vice-presidente do Sindicato da Habitação do Rio de Janeiro (Secovi Rio). É também um mercado restrito, com poucos terrenos disponíveis, localizados na Zona Sul e alguns pontos da Barra da Tijuca.
 
Já em Curitiba, as vendas reagiram aos sinais de melhora da economia. "O primeiro setor a responder é o de luxo, a retomada começa pelo topo da pirâmide", diz Leonardo Pissetti, presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi-PR). Nos últimos 12 meses, as vendas de apartamentos com preços acima de R$ 1 milhão em Curitiba aumentaram cerca de 40%. O baixo rendimento do mercado financeiro, diz Pissetti, estimula o investimento em imóvel de luxo.
 
"Com os juros mais baixos, as pessoas voltaram a investir fora do mercado financeiro", concorda Claudio Cunha, presidente da Ademi-BA. Em Salvador, as vendas também reagiram. O condomínio de alto padrão Horto Parque Barcelona, da Prima Empreendimentos, lançado no começo de novembro, teve 60% de seus 76 apartamentos vendidos em três semanas, pelo preço médio de R$ 2 milhões.
 
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