08/10/2019 - 00h12

Uma tarde no quinto andar do Quinto Andar, o novo unicórnio brasileiro

Veja
 
Como trabalha a equipe da plataforma de aluguel de imóveis sem fiador
 
O elevador do prédio em uma das esquinas da Avenida Paulista com a Rua da Consolação chega ao pavimento que coincide com o nome da empresa. Mais de 1.000 pessoas trabalham na startup Quinto Andar, espalhadas também por outros pisos desse e de mais três edifícios (apenas um fora da capital paulista, em Campinas).
 
A multiplicação dos endereços é a tradução em carne, osso e metros quadrados do crescimento da plataforma digital de aluguel de imóveis, que quintuplicou o número de contratos entre 2018 e 2019 (atualmente, são cerca de 4500 negócios fechados a cada mês) em 25 cidades, de Porto Alegre a Goiânia. Com isso, não para de abrir vagas de emprego (veja oportunidades aqui).
 
Criado em 2013, o Quinto Andar conecta locadores e locatários sem necessidade de fiador, caução ou seguro fiança (a empresa fica com o primeiro aluguel e uma taxa mensal dos seguintes) e se diferenciou por mostrar fotos profissionais dos imóveis, um salto e tanto sobre os sites cheios de imagens escuras e mal enquadradas (às vezes, meio nojentas) de quartos bagunçados e pias com louça suja.
 
O modelo bem sucedido transformou a empresa no mais novo unicórnio brasileiro. O termo designa startups que se tornam lendas ao conquistar o valor de mercado de ao menos 1 bilhão de dólares. Outras oito empresas nacionais estão na lista.
 
Trabalhar em uma empresa que cresce tão rápido não é para qualquer profissional. Os fundadores André Penha, de 39 anos, e Gabriel Braga, de 37, ambos mineiros, receberam a reportagem para falar um pouco sobre a rotina, a cultura da empresa e os predicados de quem costuma se dar bem por lá.
 
Ambiente aberto
 
Ninguém (nem os chefões) tem sala própria. Os funcionários trabalham em mesões compartilhados – e podem, vez ou outra, se deparar com os fundadores sentados no mesmo espaço. “Eu não tenho mesa, então chego, acho um lugar vago e coloco o notebook. Eventualmente eu assusto quem está do lado”, brinca André Penha.
 
Sem manual de instruções
 
As equipes são divididas em squads (pequenos grupos multidisciplinares), que se concentram nas tarefas e problemas da vez. Há um mínimo de hierarquia – a chamada cultura “horizontal”, sem diversas camadas de chefia, o que exige que os profissionais tenham gosto pela autonomia. “Aqui não entregamos o manual de instruções – e nem seria possível, pois tudo está mudando muito rápido conforme o Quinto Andar cresce. Há orientações gerais, mas a pessoa decide se vai puxar a alavanca A ou a alavanca B”, diz a dupla, em frases intercaladas. Isso não quer dizer, claro, fazer qualquer coisa – haverá cobrança pelos resultados. Poderes grandes – responsabilidade idem.
 
É um ambiente, claro, frustrante para determinados perfis profissionais.
 
Foco no problema
 
Na dinâmica do Quinto Andar, há um desestímulo a soluções “infalíveis”.
 
“Olhamos para um determinado problema e pensamos: vamos resolver. Isso dita uma série de comportamentos dentro da companhia. Temos desapego pela solução – se funcionar, beleza. Se não, jogamos ela fora. E, mesmo quando funciona, pode ser para um determinado tempo, numa determinada escala. Quando a empresa fica dez vezes maior, aquela solução provavelmente para de funcionar.”
 
Ética
 
“Temos tolerância zero com coisas básicas de ética, respeito com as pessoas”, avisa André. “Não aceitamos uma cultura mais tóxica.” Tradução: “Discriminação, machismo, homofobia… Pode ser a pessoa mais tecnicamente competente, o cargo mais alto… Se fez alguma coisa dessas, sabe que não vai durar 5 minutos. Vai ser resolvido na hora.”
 
No mesmo barco
 
“Quando começamos, éramos seis pessoas num espaço do tamanho de uma sala de dentista – todos ouviam o que estava acontecendo”, relembra Gabriel. Com mais de 1.000 profissionais, há a preocupação de comunicar as novidades de forma explícita, o tempo todo. “Se não, cada um rema para um lado e o barco fica rodando lá no meio. Queremos que o barco vá para o mesmo sentido.”
 
Sem muito “oba-oba”
 
Os fundadores reconhecem que não se trata de um ambiente de muita celebração. “As pessoas aqui precisam ter um nível basal de autoconfiança e não ficar esperando alguém falar o tempo todo se ela está indo bem”, diz Gabriel.
 
Vale para o autoelogio da corporação.
 
O título de unicórnio não mereceu nenhuma festa na empresa – foi anunciado de maneira breve nos escritórios, e o dia seguiu normalmente, como se fosse mais um.
 
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