13/05/2022 - 11h05

Os bastidores da briga entre os setores da construção civil e do aço

O Globo
 
No cabo de guerra pela redução do imposto de importação do vergalhão, o setor de construção ganhou a batalha. Representantes dos dois setores tiveram reuniões com o ministro Paulo Guedes esta semana e construtoras e incorporadoras levaram a melhor ao conseguir a redução de 10,8% para 4% de julho até o fim do ano. As siderúrgicas argumentaram com o ministro que o preço do produto no Brasil é baixo, mas Guedes preferiu reduzir a alíquota em ano eleitoral.
 
A briga vem há muito tempo. Em março do ano passado,Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) reclamava dos preços do aço no mercado nacional e falava em desabastecimento. Já o Instituto Aço Brasil afirmava que trabalhava com 70% da capacidade produtiva por falta de demanda. De acordo com as siderúrgicas, o gargalo era na distribuição. Sobre os altos preços, uma alta de 70%, diziam que houve um reajuste mundial no valor do aço devido ao boom das commodities. Desde fevereiro, por conta da guerra da Rússia e Ucrânia, que são grandes produtores, o valor também sofreu alta e chegou a 700 dólares/tonelada.
 
Representantes do setor de aço relataram falta de diálogo com a construção civil, já que não houve problema com os setores de máquinas e equipamentos, e automotivos, que também compram o aço. Outro foco de conflito foi a importação por incorporadores brasileiros e cooperativas do aço da Turquia em julho do ano passado. Mesmo sem a redução de imposto, o CBIC relatou ter economizado 5% ao comprar o material no exterior. 
 
- As siderúrgicas dizem que não há problema de produção, mas as distribuidoras dizem que não têm material. Tem alguém estocando produtos por aí - disse o presidente da CBIC, José Carlos Martins, em entrevista ao blog em abril do ano passado.
 
Para Marco Polo, presidente do Instituto Aço Brasil, a medida do governo foi equivocada, pois não há problema de desabastecimento que justifique a medida. Sobre o impacto da inflação, estudo feito pela LCA Consultores, mostra que a redução na alíquota do vergalhão é de apenas 0,03%. Segundo ele, a decisão vai na contramão do mercado global, já que os países estão protegendo suas indústrias, pois há, no mundo, um excedente de 518 milhões de toneladas do produto.
 
- O Brasil pode ser tornar um receptáculo do comércio mundial de aço. Mas estamos tranquilos. O mercado, soberano, responderá pelo impacto.
 
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