22/06/2022 - 10h46

Enic aborda caminhos para o mundo, a sociedade e a construção civil na próxima década

Agência CBIC
 
Como entender o contexto global que vivemos atualmente e o que podemos viver nos próximos dez anos? Para fechar o segundo dia do 94º Enic | Engenharia & Negócios, o presidente da CBIC, José Carlos Martins, encerrou o dia debatendo com o professor Paulo Vicente, da Fundação Dom Cabral, sobre “Para onde o mundo caminha”, com panoramas sobre as tendências mundiais na economia e os possíveis cenários até 2030.  
 
Segundo os participantes, a pressão inflacionária no mundo, a pandemia, o cenário de guerra entre Rússia e Ucrânia são reflexos de uma crise que aconteceu depois de uma expansão e deve mudar a economia global nos próximos anos. “O mundo que existiu há 20 anos não existe mais e não voltará. A solução está há vários anos na nossa frente. Vivemos um remake de muitas coisas que já aconteceram antes, mas não é um replay, ou seja, é parecido, mas é diferente, porém isso não é necessariamente ruim pro Brasil”, apontou o professor. 
 
Segundo as previsões de Vicente, o auge da crise econômica pós-pandemia que vivemos, especialmente com uma possível crise inflacionária nos EUA, teria seu pico de 2023 a 2026. Com o mercado do leste europeu com alto risco militar e a fuga de investimentos nestes países, a busca por matérias-primas pode estar nos mercados emergentes como México, China e Brasil. “Precisamos sair de uma mentalidade performance e procurar uma mentalidade de resiliência”, explicou. 
 
Uma mudança significativa que a pandemia implantou foi a mudança nos meios de trabalho, com o escritório híbrido. “Passamos por uma robotização da força de trabalho e com a eliminação de certas resistências que tínhamos antes como o home office ou comprar on-line, por exemplo”, afirmou Vicente. Com isso, destacou o professor da FDC, o setor imobiliário precisa se adaptar e repensar espaços que incluam não só o escritório nas casas e apartamentos, como os novos tipos de escritórios. “Esse novo modelo muda o mercado imobiliário. Torre de escritórios passaram a demandar escritórios menores. Os escritórios acontecem em vários lugares com diversos fusos, e as residências precisam incorporar o nosso local de trabalho. Toda essa reorganização deve durar uma década”, destacou. 
 
Do ponto de vista da tecnologia, a inteligência competitiva investe cada vez mais em coleta, análise, apoio e proteção de dados, como processador de voz, rede neural e criptografia. “Isso tá chegando muito forte dentro dos investimentos tecnológicos, não só no setor de construção, mas para todo e qualquer negócio”, apontou Vicente, ao relatar exemplos dentro da construção, tais como o caminhão robótico de tijolos, a casa impressa em 3D e o programa SAM, que automatiza os meios de construção. 
 
Segundo o especialista, o Brasil é um forte candidato para ser uma potência mundial, mas isso ainda vai demandar de 50 a 60 anos de desenvolvimento. “Ainda não estamos prontos, vai levar tempo pra população crescer, desenvolver o território e sair do patrimonialismo”, explicou o professor. 
 
Nas tendências para as construções, o especialista previu que a população pode tender a sair das grandes metrópoles e procurar alternativas. O presidente da CBIC perguntou onde ele investiria nos próximos anos se fosse construtor e a resposta foi direta. “Procuraria um local de médio porte, de 250 mil e um milhão de habitantes, com qualidade de vida. Esse deve ser o horizonte dos construtores dessa década”, disse.  
 
Para fechar o dia, José Carlos Martins lembrou da importância do Enic. “Nosso grande objetivo é que cada um de vocês tome as melhores decisões com a maior qualidade de informações possível”, afirmou o presidente, que conversa com o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, nesta quarta-feira (22). 
 
O 94º Enic é realizado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e conta com a correalização do Sesi, Senai e patrocínio do Sebrae, Confea, Mútua, AltoQI, SoftwareONE, CV, Sienge e Caixa Econômica Federal.
 
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